sábado, 25 de setembro de 2010 | By: Ócios do Ofício

O Adeus



Não sei o que aconteceu. O que tínhamos já não existe mais. Algo tão bom que deixou de existir com uma rapidez que me surpreendeu. Quando dei por mim, já não era a mesma coisa e nossa relação mostrou-se intensa, mas finita, e nesta última mantenho minhas palavras. Não posso mais, acabou. Carregar-te comigo não tem mais sentido, apenas faz lembrar-me do que era e não é mais, tudo virou passado.
Penso nos momentos que precederam nossa despedida, triste e amarga adaga que transpassa o peito lenta e dolorosamente. Lembro-me de estar distraído quando, pela inocente indagação de um amigo, fui deixado em tua presença. A intimidade cresceu tão logo quando eu te olhei pela primeira vez. Despi-te devagar e saborosamente e, enquanto meus dedos iam, ao compasso de uma mansa melodia, revelando tua pele rosada, mordia levemente os meus lábios em um gesto de impaciência ao prazer eminente. Toquei-te primeiro com os dentes, acariciando suavemente seu pequeno corpo de modo a deixá-lo mais maleável, quase molenga, e, na ausência de qualquer reprovação, jogava-te de um lado para o outro, sentindo todo o teu sabor, toda sua doçura. Minha língua estremecia ao investigar-te por inteiro, tuas curvas, saliências, tuas marcas.
Agora não me passa na mente outra idéia senão a de deixar-te. Não consigo aplacar o desconforto de ficar contigo. Já não és tão doce quanto costumava ser, nem tão flexível ou agradável. Acatou a rigidez como melhor amiga e passou de adocicada presença a um fardo intragável. Sinto dizer-te que não aguento mais, que cheguei ao meu limite. É isso. Acabou. Não posso mais. Adeus chiclete de morango!




Rafael Rogério Santos
quarta-feira, 22 de setembro de 2010 | By: Ócios do Ofício

Inconsciente


Peso. Não o comum. Aquele que a maioria das mulheres tenta perder e os homens encontrar, salvo raras exceções. Mas o de consciência. Estranho sentimento, o de estar incapaz. Incapaz de voltar no tempo e fazer tudo de forma distinta. Ser distinta. Me deixei levar por você, embora relutante.
            Você me induziu a falar coisas que talvez não quisesse, ou não pudesse. A fazer coisas antes inimagináveis. Me encorajou, me seduziu, me ludibriou. Me trouxe amigos e tirou-os de mim num segundo. Me fez rir, demasiadamente. Tanto que chegou a causar-me fortes dores. Dores estas que não se resumem ao físico, ao corpóreo.
            Você me ensinou. E eu, aprendi. Decorei os movimentos, as curvas, o mexer, as jogadas de cabelo. Tudo, enfim. Sem preconceitos nem preceitos. A dança, um dos dons que não me foram dados, naturalmente. Me guiou, moveu meus pés, pernas e braços. Fez com que até mesmo as batidas do meu coração seguissem o ritmo e a melodia da música.
            Me tirou a fome e o pouco que me restava de equilíbrio. Não me fez chorar, e esta é a única parte da história que me impede de te esquecer. Não que eu não possa, posso com toda convicção. Mas você marcou a minha vida, a fase de transição da adolescência ao adulto. Não digo que tenha amadurecido, mas tornei-me menos infantil.
            Prometi não descer do salto, literalmente. E cumpri. Até o instante em que me sentei e ao meu lado estavas. Como em hipnose, me fez dependente. Nem ao menos precisou contar até dez para que eu acordasse. Não resisti. Meus lábios mancharam-te de batom e em ti, copo, ficaram gravados. Vodka, maldita vodka.
           
Bruna Silveira
quinta-feira, 16 de setembro de 2010 | By: Ócios do Ofício

Stand-up com Rogério Morgado

Stand-up comedy é uma expressão em língua inglesa que indica um espetáculo de humorexecutado por apenas um comediante. Nele, o humorista se apresenta geralmente em pé (daí o termo 'stand up'), sem acessórios, cenários, caracterização ou personagem. Também chamado de humor de cara limpa, termo usado por alguns comediantes.





No vídeo, o comediante Rogério Morgado apresenta algumas dificuldades de ser gordinho. Ser gordinho não é problema, desde que você seja feliz e sinta-se bem.


Não deixe de ler os nossos textos e visitar nosso blog. Se tiver sugestões de temas, envie-as. Ficaremos felizes de escrever sobre o que você quer ler.



terça-feira, 14 de setembro de 2010 | By: Ócios do Ofício

E se eu fosse mulher?


Dos pensamentos obscenos sobre mulheres siliconadas e lances futebolísticos às variedades intermináveis de cores de maquiagem para a região ocular e inesgotável adoração por sapatos. Compreendê-las sob a óptica masculina é, no mínimo, irrisório. Para tal intento, portanto, adotei uma visão a partir do foco feminino. Em vez de respostas, mais perguntas. O que as faz tão boas em nos confundir, nos desesperar? O que há por trás da sua razão emocional tão irracional e ineloquente?
Tentar colocar-se do outro lado desta barreira morfofisiológica é um tanto quanto inusitado. Fico imaginando minha preocupação, agora recorrente, com a vestimenta alheia, com a maquiagem – quase nunca a minha - com os brincos que não combinaram com os sapatos, a formação e ruptura de casais ou ainda o interesse quase que instintivo em acompanhar diariamente o meu horóscopo. Penso também no lado não tão glamoroso dos dias de TPM - o flagelo masculino – e nos momentos de separação amorosa, irrigados a chocolate, consolo das colegas e programas melosos. Sem falar na posterior retaliação do pobre coitado, vítima do seu próprio erro. Tudo isso em meio a inúmeras incursões ao banheiro, eternamente acompanhada, e quase nunca com o propósito de cumprir o objetivo para o qual o aposento foi destinado.
Mas o que mais me intriga é sua, ou minha, desenvoltura no que se refere a relacionamentos. Deus, ao nos tirar uma costela, deu-nos dor de cabeça. Minha falta de objetividade vitimaria tantos corações quanto possível, sempre em busca de um príncipe encantado possuidor de um aparelho telepático, que pudesse satisfazer-me antes mesmo de indignar-me? Seria eu refém desta mania infeliz de ver todos os homens da mesma maneira? Talvez sim, talvez não, mas infelizmente a realidade aponta para a primeira.
Meninas, garotas, mulheres. Amá-las? Provável. Entendê-las? Impossível. Se por trás de todo grande homem existe uma grande mulher, o que existe por trás de uma grande mulher? Com certeza não uma figura masculina, somos orgulhosos demais para bancar a “esposa” da relação. Ao contrário delas, sentimentalismo nunca foi nosso forte, e nos orgulhamos disso. Afinal manter-se distante, algo que dominamos com maestria, deixa-nos a sensação de segurança, de conforto. A verdade é que todos têm inseguranças, homens e mulheres. Esta é a sensação mais solidária do ser humano, a de maior presença. Mais que urinar em pé ou sentado, mais que ser o Adão ou a Eva, o azul ou o rosa, somos diferentes pela forma com vemos de ângulos opostos a face da mesma moeda.

Rafael Rogério Santos
segunda-feira, 13 de setembro de 2010 | By: Ócios do Ofício

Sungha Jung, o prodígio

Nem só de textos vive um blog. Por isso apresentaremos também sugestões de músicas, vídeos e filmes.


     O primeiro vídeo é o do Sungha Jung, um menino sul coreano de 11 anos que faz sucesso tocando perfeitamente, e deixando qualquer um que entenda ou goste de violão de boca aberta, músicas conhecidas e tradicionais como Billie Jean, do "rei do pop", Michael Jackson. Ele, inspirado pelo pai e com seu violão sob medida, mostra como é que se dedilha.



Queremos muito que vocês gostem e visitem nosso blog. Se tiverem críticas, comentários, dúvidas ou sugestões, não deixem de nos falar. Beijinhos, boa noite. 


E se eu fosse homem?



             Do progesterona e do estrogênio ao testosterona. Metamorfose. Homens, como defini-los? Talvez eu realmente desejasse me transformar em um para poder responder a essa dúvida a qual tantas mulheres passam a vida buscando sanar. Será que eu pensaria só ou tanto em futebol, dinheiro e mulheres? Pensaria. Faz parte dos homens, ou agora de mim, a obsessão por competir, por destacar-se, por fazer-se notar.
            Parece estranho dizer que as mulheres também sentem excessiva curiosidade em saber o que os homens fazem, além de suas necessidades fisiológicas, ao ir ao banheiro. Ao menos eu, questiono se eles são como nós. Preocupados com a roupa, com os cabelos ou com aquela menina que anda sempre com a fulana.
O que nós somos para eles? Ou para alguns deles. Objeto sexual, um número ou a mulher? Temos, conscientemente, a terrível mania de categorizá-los e generalizá-los. Homem, garoto, menino, moleque. Na puberdade ou não, maduros ou infantis, são inseguros. Não que isso justifique suas atitudes, de modo algum o faz. A frustração não é um sentimento unicamente feminino. Enganamo-nos ao pensar que eles não sentem ciúmes, que não se preocupam com o tamanho ou a rigidez de suas bundas, que não choram e que não amam.  A frieza é o que os diferencia de nós e o que impede alguns deles de “sair do armário”, excluindo sentidos ambíguos.
Meus anseios permutaram. Daquela velha vontade de saber o que os homens pensam para a de andar sem camisa e balançando os braços como se eles pudessem fazer hipnotizar; sentar-me de pernas abertas, como se isso, também, me tornasse mais atraente; de “organizar” minha genitália, como se isso me fizesse mais másculo e viril; de ficar com quantas mulheres a mim viessem, pois não pretendo conquistá-las; de urinar de pé, mirando, tentando não errar, ao menos nisso. Sou homem, ajo como tal.






domingo, 12 de setembro de 2010 | By: Ócios do Ofício


Vestibular. Quem nunca passou por ele, com toda certeza, um dia passará. Tantos ângulos, esponjas e pólipos, onomatopéias, átomos de carbono, revoluções, movimentos acelerados e retardados. Entre química, biologia, história, geografia, sociologia, filosofia, biologia, inglês, espanhol, física e a temida matemática, ainda temos que enfrentar mais um grande obstáculo. REDAÇÃO. Um verdadeiro monstro. E foi a partir dela, ou do medo de não conseguir fazê-la, que surgiu a idéia do “Ócios do Ofício”. 
    Estudar? Uma coisa que o Rafa, como é chamado pelos íntimos, faz e muito. Preparando-se para prestar vestibular para Direito, pediu a mim, Bruna (sem apelidos no diminutivo ou carinhosos), que lhe dissesse um tema para escrever. Na academia, entre exercícios para bíceps, tríceps e outros músculos, começamos a pensar em coisas que ninguém nunca escreveu ou teria vontade de escrever. 
    Como o Rafa não achou justo que escrevesse sozinho, propôs a mim um desafio. E como adoro desafios, aceitei. Apesar de a Administração me forçar a escrever sobre coisas tão técnicas, botei o pouco das experiências que tive e os meus sentimentos nos textos.  
     O objetivo do “Ócios do Ofício” é, além de falar sobre temas atuais, fornecer leituras divertidas e trocas de experiência.



Não deixe de ler nossos textos e dar sugestões de temas.

Adoraremos escrever sobre eles.

Bruna Silveira